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sábado, novembro 27, 2004

Relances 27NOVa

1. O Dr. Santana Lopes instalou no Governo uma praxis de comunicação que se caracteriza pela "meia verdade". Tal permite aos seus simpatizantes afirmarem convictamente que o que ele ou os seus ministros dizem "é verdade", mesmo que sejam coisas diferentes e até opostas. Por exemplo, se se analisarem umas contas apenas pela coluna do "Haver", as conclusões serão obviamente diversas de se apenas se analisar a coluna do "Deve". Mas ambas são "verdade".
Não são é "toda a verdade", pormenor de natureza semântica que, para a imagem, pouco interessa.

2. O professor Cavaco Silva pôs (passe a vulgaridade) a "boca no trombone" e escachou (passe o plebeísmo) a política económica do Governo de alto a baixo. Concluiu que não está certa, nem serve para nada quanto aos objectivos gerais do País. Aliás a afirmação só peca por tardia, uma vez que só falta, entre os reconhecidos "vultos" (passe a imagem cinematográfica) da economia nacional, o caridoso Dr. César das Neves para repudiar a actual política do Dr. Félix. Quanto à inesperada veemência do Dr. Cavaco, talvez tal se deva a não ter gostado que lhe prejudiquem os amigos. Ou talvez nem sequer reconheça o Partido de que já foi líder incontestado. Talvez a irresponsabilidade festiva deste Governo o tenha irritado e mobilizado a má vontade. Mas é, de facto tempo "dos políticos competentes expulsarem os incompetentes". Eu aditaria: e de se definir o que é a competência política. Se se trata de chegar e manter o poder, pelo poder, Portugal tem políticos da maior competência. Se se trata de estadistas e de gente que quer reformar e melhorar o País e o seu sistema social, cadê?

3. O PCP tem um novo secretário geral à sua imagem e semelhança: ex-operário, duro, de face quase sinistra (uma forma latina de esquerda), a pensar atrasado de 50 anos, a justificar a decadência visível do Partido por todo o mundo andar errado. Provavelmente o mundo está a ficar "errado", mas tal não tem nada a ver com o PCP. Nem este tem, cada vez mais patentemente, a ver com o Mundo. É uma espécie de clube de antigos combatentes & filhos.

ASP

Relances 26NOV
Um amargor que não chega a amargura

1. (Ou)Vi a entrevista com o Eng. Sócrates ontem na SIC-notícias. Pareceu-me bem. Com opinião formada quanto às matérias sobre que era interrogado. O jornalista também. Apenas de vez em quando, perante alguma contrariedade na conversa, ressaltava um pouco da agressividade do "animal feroz" escondido no líder do PS. Mas não demais. Tem é de deixar de começar as frases por "E..". Mas esteve bem nas suas opções sobre o Orçamento, o papel da Oposição, a questão dos monopólios da energia e das águas, a política do Governo e reforçou a ideia que pode ser Alternativa e não apenas o Contraditório institucional.

2. Dizem alguns meus amigos que estou a ficar azedo nos meus "Olhares & relances". Tem uma explicação psico-fisiológica: o meu grau de acidez cerebral aumenta exponencialmente quando deparo, especialmente na gestão da Coisa Pública, com insensatez, demagogia e falta de verticalidade nos comportamentos. Claro que nos últimos tempos estou quase um "pickle".

3. Recomeçou o circo da Justiça, com o início do julgamento sobre a pedofilia na Casa Pia. É claro para quem for minimamente inteligente e tenha acompanhado o historial do caso, que houve intuitos deliberados de baralhar o processo, quer na fase de instrução, quer na forma de investigação. Intuitos que seguiram um plano, cuja fase inicial foi de colocar determinadas pessoas em determinados sítios determinantes para que tal acontecesse. Parece também claro que houve acusações deliberadamente falsas, para criar confusão e/ou atacar injustamente determinadas pessoas ou entidades, nomeadamente o PS ou os seus lideres na altura, mas não apenas. Parece também que houve testemunhas que foram compradas e outras que o não foram. Que houve muito mais gente e muito mais "importante" do que a que está presentemente no banco dos réus, que esteve implicada e que conseguiu nem sequer ser nomeada. Que a Imprensa foi usada como instrumento dessa estratégia de criar uma nuvem de fumo pela confusão e por acusações escandalosas, mesmo que falsas. Que a "cabala" que Ferro Rodrigues denunciou não foi apenas uma sua imaginação.
Só após imensos estragos irreparáveis nas vidas de algumas pessoas, consideradas hoje acusadas malevolamente e inocentes, é que a Justiça retomou a sua normalidade. Não se conhecem quaisquer penalizações dos seus agentes que, hoje se percebe, serviram os desígnios das poderosas forças que estabeleceram a estratégia acima referida.
Daí, para quem pensa racionalmente e não afectivamente as coisas, a existência de algum "amargo de boca", um "amargor" que não chega a amargura porque a idade já não é a das ilusões. Ligado à impunidade existente, à hipocrisia das instituições, ao oportunismo dos media, à crueldade de toda a estória, à doentia obcecação do Povo em designar "culpados" para compensar frustrações antigas em desejados autos-de-fé ou linchamentos "à la minuta".
Tudo não muito diferente do que o seria na Idade Média. Ou com a Inquisição, que lembremo-nos, em Portugal só acabou no século XIX. No fundo, tudo correu como correu, porque Portugal assim o deixou, talvez até o tenha desejado no seu mais fundo e negro sentir. Porque a cultura centenária de um Povo, nas suas grandezas e nas suas fraquezas, não se muda em três ou quatro décadas de abertura de espírito. Os maus diabos, os medos, as invejas, a ignorância, o ultramontanismo do "reino cadaveroso", do "reino da estupidez", ainda andam por aí.
Preocupante.

ASP

Relances 23NOV

1. Para o referendo sobre a constituição europeia a pergunta vai ser: ? Concorda com a carta dos direitos fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?. Sugiro que, para além dos quadradinhos do ?Sim? e do ?Não?, se adite um com ?O quê??.

2.Parece que as contas do OE05 estão gatadas. Faltam mais de 400Meuros na cobrança esperada do IVA, IRS e IRC. Vão ser necessárias mais receitas extraordinárias e desorçamentações, para além da Saúde e do IEP. Resta saber se a venda dos anéis restantes e talvez de algum dedo mindinho serão suficientes face ao descalabro das despesas.

3.O PS parece que vai propor Ferro Rodrigues para candidato à CML. Têm, de facto, um menu sempre dos mesmos pratos. O próprio diz que não é candidato a candidato. Que é uma nova forma de sondagem informal.

4.ADFER dá conselhos, não pedidos, a Ministro, para que ?tome decisões acertadas? e ?trave gastos inúteis?. Mas os conselhossão coisas que só valem quando se pedem, não quando se dão.

5.Finalmente a promessa do ?governo-que-já-não-é" sobre os monovolumes poderem, para as portagens, ser identificados como automóveis e não furgonetas, parece que vai avançar. Se usarem a Via verde, o que é razoável como incentivo. Vamos esperar, porque de promessas estamos todos cheios.

6. O Boletim de Setembro do Banco de Portugal põe os cabelos em pé mesmo a quem os não tem: Importações crescem oito vezes mais depressa do que a economia .O endividamento bruto dos particulares subiu para 118% do rendimento disponível (era menos de 30% há dez anos); tal derivado de um clima de ?confiança consumista? que o Governo instalou, como reacção ao discurso da tanga inicial. O clima nos consumidores é o de uma situação pré apocalíptica: perdido por cem, perdido por mil.

7. Santana, contudo, diz que chegou o tempo da esperança e que ?não vamos prolongar artificialmente uma crise?. É tão optimista nas suas previsões, apenas por ser ele o chefe do Governo, que chega a ser convincente, para os espíritos mais afectivos. Alegra ouvi-lo.
ASP

segunda-feira, novembro 22, 2004

Relances 22NOV

1. Parece que tudo quer, agora, a queda do Governo. Até o próprio Governo. A incomodidade interna à coligação é flagrante. Começam a saber-se desistências, reticências e mesmo saídas na Equipa. O PSD porque receia ser arrastado para um imaginário PSL (Partido Santana Lopes) que o encoste à direita liberal, sem laivos de preocupação social compatível com a sua origem social-democrata.O CDS porque, a se manter este estado de coisas, quanto mais tarde surgir autónomo, menos votos vai ter, devido ao voto útil da Direita no PPD/PSD, ou seja, no tal PSL actual. E as autárquicas estão às Portas. O efeito de arrasto do descrédito do Governo pode ser fatal para tal, enquanto que agora as previsões não estão muito más. O PS porque, para já, é vencedor antecipado de legislativas, mesmo que nada faça ou diga. Os outros partidos da Oposição porque têm esperanças de, apesar de tudo, a sua posição relativa vir a crescer num novo quadro partidário. O Povo porque está farto da incompetência, das meias-verdades e da demagogia deste Governo. O PR porque teve de engolir um sapo, mas não gosta da dieta, tanto mais que quotidianamente é desfeiteado pelo Governo. Tal posto o espanto é como é que eles se aguentam, todos os dias havendo escândalos e disparates. No fundo basta um acentuar da hipertensão do ministro Bagão; ou uma censura presidencial ao OE05; ou um veto, por inconstitucionalidade ou apenas por querer, sobre qualquer matéria, por hipótese a reconversão do IEP em Empresa, com toda a desorçamentação temporária que constitui. Fios de aranha a sustentar um Governo internamente muito agitado.
2. O PR demonstrou, com o veto à Central de Informações, estar atento e vivo, fazendo renascer esperança numa sua atitude regeneradora do sistema republicano e constitucional, que muita gente encara como moribundo. Esperemos por mais, para verificar.

3. Fala-se agora num regresso ao nuclear, em Portugal. Lá fora já se concluiu, com apoio de históricos da ecologia, que é a melhor alternativa energética (é uma questão de risco e não de impacte ambiental) face à continuação da Sociedade de Consumo (e crescimento) que parece estar para durar e globalizar.
4. Finalmente começa-se a encarar a situação do País um pouco mais largamente do que apenas a questão do nível de desequilíbrio das contas públicas. E outros indicadores macroeconómicos ?clássicos?, como a dívida pública (% do PIB), os (des)equilíbrios das balanças de pagamentos e transacções, o graus de autarcias alimentares, energéticas, etc, estão a começar a vir outra vez à colação, o que indica uma revitalização do pensamento político-económico, que é salutar. Entretanto o desemprego continua a crescer ( parece que é já de 9,4% e não de 6,8%, com crido) e o crescimento a quedar-se muito aquém do prometido pelo Governo, que em todos os sectores apenas surge com medidas casuísticas, desintegradas de qualquer estratégia global, muitas requentadas e a saber a demagogia. Donde o referido em 1.
5. Quanto ao PS está a esgotar-se o período de ?graça? do eng. Sócrates e aguardam-se notícias que possam reconfortar os portugueses, em termos de encararem uma alternativa credível à actual Situação. E não apenas a nível de novos nomes e caras, que é necessário surgirem, mas sobretudo a nível de novas ideias e formas de se ?dar a volta por cima? desta situação pantanosa. Sem esperar pelas Novas Fronteiras ou pela pré-campanha eleitoral para as autárquicas.
6. Os números da sinistralidade na estrada são assustadores. Em 30 anos morreram mais de 50.000 pessoas nas estradas de Portugal. A venatória ao culpado, que é uma actividade típica da cultura portuguesa, culpa os ministros e directores gerais. Mas o mal está em todos, no desleixo crónico nacional, na balda, no não há-de ser nada, na falta de civismo, na irresponsabilidade geral e também na falta de dinheiro e na incorrecta repartição do pouco que há. Apenas em termos económicos, a UE quantifica, para o Estado, cada morto na estrada num milhão de euros, cada ferido grave em 150.000? e cada ferido ligeiro em 15.000?. São números frios, quase ofensivos, porque uma vida não tem preço, é sabido. Mas, para os que pensam tudo em função da economia, perdeu Portugal 50.000 Meuros (10.000 milhões de contos) nos últimos 30 anos, nas suas estradas e muito mais do que isso em dor, em saudade, em esperanças destruídas. Dá que pensar. E votar ao assunto mais do que palavras.

ASP

Olhar Ruminante 1123
Epure (epur?) se (si?) muove (move?)
(é o que dá a erudição de ouvido)

Portugal anda bisonho e preocupado. Perpassa 80% do país uma esperança geral, a de que o PR dissolva a Assembleia e reencaminhe o País para uma via de verdade e de bom senso, que vem faltando. Mas o PR não tem dado prova sequer de vida e muito menos de ser capaz de assumir inteiramente os poderes que a Constituição lhe faculta. Pensavam-no arredado da Política, engripado, preocupado e aconselhador.
Mas não. Talvez o veto da Central de Informação seja sintoma de que uma nova esperança ainda é possível.
Assim seja.

ASP

domingo, novembro 21, 2004

Olhar Ruminante 1120
A neura

Perpassa pela sociedade portuguesa geral tristeza e desânimo.
E preocupação. Uma grande preocupação, nas almas e nos semblantes.
Um amigo meu, normalmente moderado nas suas considerações, envia-me SMSs a identificar a actual situação com um Gonçalvismo ao contrário e a comparar a doideira então institucionalizada com o non-sense actual.
O meu grupo de amigos, de esquerda e direita, refere-se ao Poder com enorme desconsideração.
O Povo encara o Governo como um intruso na vida nacional a tentar seduzi-lo com patranhas.
A praxis governamental é incerta, num vai-vem de afirmações e respectivas negações quanto a propósitos e actos, numa ânsia de afirmação pela imagem, nos media.
Não se sente que a maioria dos governantes tenha assumido os respectivos cargos para, de facto, governarem, isto é, reformarem os seus sectores em termos estratégicos e operativos e gerirem-nos de forma cabal, mas apenas para ocuparem o cargo para afirmação e vaidade pessoal, quando não para enriquecerem a curto ou médio prazo. Ressalvam-se poucas excepções, que agem perdidas na tendência geral.
Tudo é meia verdade, meia mentira. Nem os números são claros, numa opacidade dourada por um palavrório populista de lugares comuns e optimismos aquecidos em micro-ondas.
Não há dia em que não haja bronca. Não há especialista sério em finanças públicas que não se demonstre perplexo e preocupado com a gestão das contas públicas.
A pretexto de razões sem fundamento, sub-repticiamente, o Governo aprova uma lei feita segundo a vontade exclusiva dos senhorios e vai despejar 50% dos inquilinos que têm contratos de mais de 15 anos, e que não aguentam com rendas 5 e mais vezes as que presentemente têm. Vai estragar o fim da vida a umas dezenas de milhar de famílias. Para por todas as rendas ao nível das "de mercado", que estão inflaccionadas pela especulação em perto de 40%.
O Governo gasta centenas de milhões de contos em material bélico (e seguramente alguém recebe milhões de contos em comissões) perfeitamente desnecessário. E a Morrem 8 pessoas por dia por incúria no SMS e quase outras tantas nas estradas. Os incêndios nas florestas não têm parado e há vítimas todos os anos. O desemprego não tem parado de crescer. A dívida dos portugueses é de 118% dos seus meios de pagamento. Numa balança comercial muito desequilibrada, as importações cresceram o dobro das exportações. O crescimento do PIB, pequeno apesar de tudo, é feito à conta do consumo e não da produção. Importamos 90% da energia que consumimos. Na alimentação a Espanha está, quase, a alimentar-nos. A Justiça é o que se sabe. As obras públicas, se não feitas em concessão, sendo assim obras quase privadas, são apenas promessas, para esquecer logo que se esteja longe da população mais interessada. A insegurança nas ruas não tem parado de crescer. A droga idem. Um clima normal de violência instalou-se, nos estádios, na ?noite?, nas escolas. Os velhos (1/3 do chamado Povo), arrastam-se abandonados, obrigados, na melhor das hipóteses, a ver TV. A pretexto de reformas estruturais, as instituições públicas vêm fazendo purgas e saneamentos de tudo quanto não seja da cor dos dirigentes. E colocando serventuários nos seus cargos vazios, independentemente da sua competência ou experiência nos assuntos. Nos media o Poder já perdeu a vergonha e é com despudor que distribui prebendas aos reles lambe-botas de serviço. Voltou o medo, à sociedade civil. Pressente-se a corrupção em todo o sítio, a luva, o empenho, a cunha, o jgo de influências branqueado com o nome de lobbying. Já ninguém respeita ou sequer tem confiança seja no que for. O Estado deixou de ser fiável e uma "pessoa de Bem". O dinheiro está em tudo e em tudo manda. As instituições da República são quotidianamente desrespeitadas. A auto-estima lusitana está baixíssima, ao nível da época do ultimatum. Cada vez os ricos estão mais ricos ? e mostram-no ? e os pobres mais pobres ? e nota-se. O País não produz e perde-se em consumos e lazeres.
Instalou-se uma enorme neura, particularmente deprimente porque envolve também um sentimento estranho de cumplicidade por preguiça ou conformismo.
À semelhança dos tempos do Gonçalvismo, esvaem-se as esperanças de uma atitude correctora do presidente da República, como supremo magistrado da Nação, refém de qualquer coisa inibidora de atitudes políticas conforme a plenitude do seu Poder. O chefe de Estado, simpático à maioria da População que o é, auto-limitou-se a ser uma espécie de sage demo-social, um monarca constitucional de corta-fitas. Mas perdeu a confiança da população como sendo capaz de intervir contra o Poder instalado. O Dr. Gomes da Silva ser ainda ministro e não ex-ministro é disso sintoma. O ninguém já ligar aos discursos e preocupações do Presidente, idem.
À solta, o Governo liberta a licença na governação.
O povo murmura. Mas o Poder sabe que o Povo é sereno (manso chamam-lhe alguns) apenas critica, se ri e fica a ver TV, especialmente se houver futebol, a coisa mais importante, de facto, que existe em Portugal.
Que neura!

ASP


segunda-feira, novembro 15, 2004

Olhar Ruminante 1107
HUM?!

Hoje e ontem não me apeteceu fazer os Publiquidades e/ou Expressidades. Talvez por preguiça mental, talvez por preguiça global, talvez por a leitura em diagonal dos jornais me não ter despertado qualquer interesse especial (rima e é verdade).
O enterro do Arafat foi aquilo que se esperava e um alívio, ao fim de tanta hora de repetição noticiosa de coisa nenhuma.
O Bush e o respectivo depois também já chateiam. Qualquer leitor mediano já percebeu tudo ou pelo menos o suficiente para firmar opinião. Também tanto dá. O homem fica lá e as coisas vão piorar, por exemplo quando reconstituir a equipa. Vão ver.
O ataque a Falluja acabou, se é que acabou, também, sem surpresas: na insanidade em que aquilo se transformou, já ninguém reaje a mais ou menos mil mortos, sejam eles terroristas, fundamentalistas, patriotas ou meros cidadãos apanhados nos danos colaterais de todos os espaços de guerra. Falluja terá sido conquistada, nunca o será totalmente, mas outras cidades estão a ficar fora do controlo. Não se vê o fim ou solução. E quando Bush diz que vai haver eleições dentro de dois meses e que as coisas estão quase boas, mente como mentiu nas razões da invasão. No entretanto estimam-se em centenas de milhar as vítimas, grande parte gente corrente, desde o início da invasão. Prognósticos muito reservados. Grande sofrimento e violência. Talvez desnecessários.
Mas o mundo já se habituou a viver em caldo de mentira ou de semi-verdade.
Em Portugal o OE2005 é um belo exemplo disso.
Houve também o Congresso do PSD. Pessoalmente metem-me nojo essas cerimónias de bajulação do Poder no poleiro pelos invertebrados aparelhistas e candidatos a lugarzinhos por obra & graça de V.Exª. Lembram-me os comícios das defunta ANP, do tacho-dependismo, que parece ter sobrevivido na cultura portuguesa. Como sempre acontece as votações foram unânimes e também houve a cena do corajoso minoritário que acaba ostracizado pelos figurões que se acham seguros no Poder. Coube a Marques Mendes dizer aquilo que toda a gente pensa, menos os tipos que são responsáveis pelos descalabros criticados.
O "grande líder", patético nos seus pés de barro e nos seus rabos de palha, bem como os seus barões, exultaram com as aclamações da malta, que os iludem quanto à realidade, que é outra: 80% dos portugueses consideram este governo mau; não há nenhum economista considerável que não critique a política económica deste (des)governo; os próprios responsáveis pela área económica do governo de que este deveria ser a continuação, demarcam-se destas soluções; ninguém está satisfeito, salvo as agências de imagem a soldo do Governo e os batalhões de santanetes e santanettes que invadiram a Administração, para lugares sobre que não fazem, na generalidade, a mínima ideia do que tratam. Um pré-caos de incompetência a vulso.
No meio de um clima de falta de seriedade governativa, de demagogia e de facilitismos sem fundo, Santana Lopes insiste, contudo, que inventou a quadratura do círculo e que todo o regimento está com o passo trocado.
Chama-se isto autismo.
As votações maciças de aparatchiks; as perseguições a quem não partilhe ou divirja das opiniões do líder; as tentativas de condicionar a Imprensa; a incapacidade de entender as críticas e a obsessão de que só ele está no caminho certo, prenunciariam, num país normal, com normais relações de poder, uma queda do governo a curto prazo.
Não o entende assim , parece, quem a pode provocar.
É pena, pois fica associado ao prolongamento de um estertor que a ninguém serve.
Barroso matou a esperança; Santana enterrou-a.
ASP

Publiquidades 12 Nov
Títulos do Públic por vezes comentados, para colecção e memória futura

Tema geral : Arafat e a sua sucessão (7 páginas)

Títulos:
1. Ferreira Leite acusa PSD de usar o seu nome de forma abusiva. Miguel Relvas ao CM afirmou não ter dívidas que o OE pela anterior ministra das Finanças. Manuela FL afirma: " Parece-me bastante abusivo que façam referência ao meu nome?eu ainda não abri a boca sobre o OE 2005".(Uma inequívoca declaração de apoio, pois)
2. O ministro da Defesa deverá adquirir 270 viaturas blindadas por 344 meuros?à empresa austríaca Steyer, que foi comprada pela norte-americana General Dynamics. O outro concorrente no concurso foi a Mowag, também da General Dynamics, apresentou um preço de 357 Meuros. A 3ª concorrente, a finlandesa Pátria, atrasou-se na apresentação da proposta!!! (é opinião unânime no Povo português, que esta aquisição, de cerca de 70 milhões de contos, vem suprir um falta sentida por toda a população, nomeadamente a que assiste a paradas militares. Propõe-se como medida subsequente de esbanjamento das finanças nacionais, a aquisição, aos EUA, nosso fornecedor habitual, como se sabe, de mísseis terra-ar, ar-terra, água-água , ar-ar, terra-água e terra-terra, de cor laranja, com riscas verdes. As comissões, compensações e contrapartidas poderão desde já começar a ser discutidas, bem como os respectivos destinos) Tempo de tropa nas ex-colónias pode contar a dobrar em alguns casos, diz o DG de Pessoal e Recrutamento Militar (significativo é esta promessa vaga e condicional, ser simultânea e vir junta à notícia anterior. O Povo português é, nitidamente, sereno, como diagnosticado pelo Almte. Pinheiro e Azevedo)
3. Congresso do PSD. Pacheco Pereira, no seu blog: " O Primeiro Ministro tem pouco interesse e conhecimento das matérias exclusivas do Estado, Negócios Estrangeiros, Defesa, Administração Interna, que deixa praticamente em autogestão aos respectivos ministros. Na macroeconomia não se mete, o que faz bem. Na micro já não estou certo, porque a politização dos nossos negócios é enorme"?"O PM tem dificuldade em entender a governação acima do nível das autarquias, ao nível do Estado? Sobra o que sobra: a gestão político-partidária a partir do Estado, a propaganda, chamada imagem, matérias a que dedica grande atenção. E depois sobra aquele misto de governo paternalista, envolvendo clientelas e patrocinato, proximidade e festa popular, banda, majoretes e desfile de bombeiros, inaugurações e foguetes, boletim com cem fotografias e cartazes de promessas, notáveis agradecidos e sessões solenes, que é tão típico da forma paroquial como são geridas as autarquias".(Comentários para quê? É um comentador social-democrata, reconhecido como culto e lúcido que o diz) Congresso o PSD que arranca hoje em Barcelos, será o último antes das eleições legislativas de 2006. Congresso neste momento é uma chantagem aos militantes, alertou Pacheco Pereira (é o 3º capítulo da renovação do sistema político português: o CDS, o PS e agora o PSD, com afastamento dos "velhos fundadores" em abono dos novos que têm da Política muito menos ilusões ideológicas e muito mais pragmatismo quanto às suas carreiras)
4. Investigadora da Universidade do Minho, Madalena Alves, ganhou prémio holandês por ter desenvolvido uma tecnologia inovadora que transforma gorduras presentes nos efluentes líquidos em biogás reutilizável (Tchin tchin)
5.Congresso da Democracia. Guterres acusou o actual poder político de sucumbir a uma promiscuidade crescente com os media, bem como à tentativa de os manipular, sem perceberem eu acabarão por ser destruídos por eles. Nesta promiscuidade inclui também o poder judicial. "Portugal confronta-se hoje com os seus problemas de fundo: a muito baixa qualificação média da população activa, a fraca capacidade científica e tecnológica, os persistentes entraves da herança napoleónica, centralista e burocrática da nossa administração, o escasso dinamismo da sociedade civil"?" O fundamentalismo religioso penetrou no centro do poder da maior potência mundial, pondo em causa os valores do século das luzes no seu próprio comportamento". Vítor Constâncio:" Enquanto formos um pais mais pobre dos 15 e em breve, se calhar, um dos mais pobre dos 25; enquanto formos o pais europeu com mais ampla desigualdade entre ricos e pobres; enquanto tivermos dois milhões de portugueses abaixo do limiar da pobreza, não podemos gastar tanto dinheiro em embaixadas e canhões. Temos de orientar as nossa prioridades para o combate à pobreza, às desigualdades sociais e à injustiça social". Loureiro dos Santos: "As ameaças de natureza militar de outros estados são praticamente inexistentes. As alianças com outros países protegem-nos?.Portugal deve abandonar as forças armadas de modelo convencional pesado, porque são meios extraordinariamente dispendiosos, susceptíveis de serem prestados por outros" (comparem-se estas razoáveis declarações, com a aquisição dos submarinos, dos helicópteros, das fragatas e agora do carros blindados acima referidos. Alguém anda a aproveitar-se da "baixa qualificação média da sociedade civil"). Medeiros Ferreira : "Sem comando estratégico na economia, o Estado serve para cada vez menos. E sem Estado soberano não há grande apetência do capital internacional para investir nesta faixa ocidental da Península Ibérica?.Depois de ter sido uma república de políticos, empresários e sindicalistas, Portugal tornou-se uma república de financeiros e jornalistas".
6.Conselho de Ministros em Bragança. Sob forte aparato policial e um certo alheamento da população. Morais Sarmento responde a críticas de Guterres e Constâncio, com a aprovação do Plano Estratégico Nacional Para o Desenvolvimento Sustentável (que estava para aprovação há que tempos) e com a Agência para a Sociedade do Conhecimento. (a criação de mais instituições, sem lhes dar meios e objectivos concretos temporalizados ? o que nunca acontece ? nada resolve, a não ser uns lugares para amigos. A aprovação de planos e programas, apenas reforça a política do AQ (há que fazer, há que dinamizar, etc). Lembra-se que o ministro procurou refutar as afirmações de Vítor Constâncio de que a proposta do OE2005 aumenta a dívida pública e é "insuficiente" para reduzir o deficit). Ministro Mexia anuncia abertura de concursos para estudos ambientais da A4 (Bragança-Vila Real) e de projecto para o IC5, entre o IP2 e o IP4 (integram um pacote, com a construção, de 800Meuros. Claro que são redundâncias de promessas, mas é que havia para acenar à população, desinteressada, na visita. Estes CMs itinerantes perderam o impacte e são déjá vu. As más línguas dizem que foi para animar o interior com a deslocação de notáveis que não estivessem na Quinta. Outros que foi um pequeno détour do Congresso amanhã em Barcelos)
7. Internacional- Forças americanas atacam Mossul para tentar controlar insurreição. Autoridades vão pedir reforços, depois de dois dias de maior violência na terceira cidade do país. Americanos calculam ter morto 500 insurrectos em Falluja. Atentado no centro de Bagdad faz 17 mortos ( então a guerra não tinha já acabado há meses? Se isto não é guerra, o que é a guerra?). Catorze detenções na Holanda por suspeita de terrorismo (ver artigo de Luís Caramelo: A nova Holanda e o terror. SE "as liberdades" começam a ser ultrapassadas, a pretexto do combate ao terrorismo, na mais consolidada democracia europeia, o que virá a seguir?). Costa do Marfim avança para a guerra civil (vai ser o caos, com centenas de militares estrangeiros metidos no meio, com ordens para proteger os seus nacionais, aos milhares. Donde surgiu este disparate?)
8. Economia nacional. Desemprego atinge máximo dos últimos seis anos. INE anuncia taxa de 6,8% no final de Setembro. Economistas aconselham PS a chumbar o OE2005, que é opaco e confuso e não contribui para a consolidação orçamental do Estado. (Mas a se manter sem evolução o estado endógeno de preocupação crónica do nosso PR, será chumbo para "aquecer", isto é, sem quaisquer consequências, salvo o lavar de co-responsabilidades, por sua vez reportadas para o mais alto magistrado da Nação. Nunca é demais o apelo: Senhor Presidente, dissolva!) TAP com dívidas de 640 Meuros. Tinha 756 Meuros em 2003.
9. Almada apresenta hoje a sua "Carta de ruído" (Lisboa já a apresentou há tempos e outras cidades idem. Ficou tudo na mesma. É como quando se vai ao médico se pense ficar curado apenas com o diagnóstico).Algarve em marcha lenta contra as portagens na Via do Infante. Área urbana cresceu 50% em Portugal na década de 90. Menos 10% da vegetação natural.

Artigos recomendados: George W. Bush, segunda parte, de Miguel Esteves Cardoso, (acutilante e lúcido); Os erros da Justiça, de F. Teixeira da Mota; e, principalmente "A Constituição da Europa", de Vasco Pulido Valente (no melhor do seu cinismo esclarecido); Melhor cidadania, de Nuno Pacheco, a propósito do 1º Congresso da Democracia Portuguesa

Do Inimigo Público (só à 6ª feira):

Santana vai anunciar que é uma espécie de Bush.
Congresso. Santana vai fazer a rodagem de carro novo e vem de Cessna. Gigantone de Pacheco Pereira imolado na abertura. Galo de Barcelos com perfil de Cavaco.
Há verdade do Governo, a da Central, a da Agência e a outra.
Portagens nas maternidades e na palavra saudade.
Livro dos recibos verdes em 2º lugar no top de vendas
Médicos querem doentes mais saudáveis
Miguel Portas pode ser o novo líder da OLP
Tony Blair vai adoptar W de Bush no seu nome
Brigadas Abu Hafs Al-Masri levam teatro independente português aos EUA

ASP

quinta-feira, novembro 11, 2004

Publiquidades 11NOV
Títulos do Público registados e por vezes comentados para memória futura

Temas centrais
: Invasão de Falluja e a sucessão de Arafat
Títulos:
1.Sócrates acusa eleitoralismo radical do Governo, a propósito da alegada descida do IRS. (Mas) PS reteve IRS ? a menos? em ano eleitoral de 1999.
2. Sampaio diz que falta uma visão clara sobre o papel da Europa no Mundo ( falta também uma visão clara do papel de Portugal na Europa e do papel do PR em Portugal)
3.Madeira acha ?inaceitável? maior investimento do Estado nos Açores (já chegámos à Madeira ou quê? Sendo o arquipélago açoreano geograficamente euro-americano e o da Madeira euro-africano, quem é que acham que precisa mais de dinheiro, a América ou a África? Elementar, dai a César o que é de César e a Jardim o que é de todos)
4. Pedro Silva Pereira, porta voz do PS, responde ao Público (Já é folhetim. Se mais não fosse pela insistência, o homem deve ter sido injustamente acusado. O assunto só é importante, de facto, para ele, que está nos primeiros passos de uma promissora carreira política. As dunas já estão construídas e tudo se passou, como de costume, com preocupação no espaço e quase esquecimento do tempo).
5. Milhares de estrangeiros em fuga da Costa do Marfim. A potência económica da África Ocidental está a derrapar para a guerra. Se os confrontos não pararem, os amantes de chocolate provavelmente sentirão os efeitos nos preços já no Natal. As exportações de cacau pararam no sábado (Qui est le vilain?)
6. Euro ultrapassou ontem a barreira dos 1,30 dólares. Forte valorização da moeda única pode enfraquecer o potencial exportador europeu e ameaça as previsões de crescimento económico (Portugal, que exporta 80% para a Europa, é dos menos afectados)
7. Casas devolutas podem ter imposto agravado. Associação Nacional de Municípios vai concretizar a proposta de agravamento do Imposto Municipal sobre os Imóveis. (Será mais um "há-que" sem concretização à vista, que não vejo nada fácil)
8. CGTP junta milhares (20.000?) para exigir aumento de salários. Funcionários Públicos mandataram a Frente Comum para avançar com novas formas de luta (o facto é que o povo já está tão dorido, que já quase não reage às novas porradas nas suas débeis economias que recentemente têm vindo a ser anunciadas. Face ao descontentamento geral, é de perguntar: ?só? 20.000 pessoas?)
9. Executivo prepara-se para privatizar manutenção da TAP
10. Governo cria Agência para a Sociedade do Conhecimento. Tenciona em 2005 investir 380 Meuros em projectos ministeriais relacionados com a Sociedade de Informação (parece que tem a ver com computadores e Internet nos procedimentos administrativos, mas isso já ouvi duas ou três vezes nos últimos 5 anos....) Agência de Inovação (ADI) investiu 11 Meuros em 40 projectos de investigação e desenvolvimento.(cooperação entre empresas, universidades e laboratórios) (Parece bem. Parece pouco)
11. Portas quer tirar estaleiros de Viana do ?vermelho? (através de) Novas encomendas (10 navios patrulha) e dotação do PIDDAC (68 Meuros). Ocupam área de 40ha e empregam 1100 trabalhadores. Como contrapartida dos submarinos a Flenders alemã vai transitar um estaleiro para Viana, com vantagens de 50 Meuros para os ENVC, diz Portas. (até que enfim uma medida concreta do PP em que parece poder-se acreditar)
12. Administração da EPUL exonerou todos os directores (o pretexto é sempre o mesmo ? restruturação. Traduzindo, quer dizer saneamento de tipos de cor diferente, para libertar lugares para amigos. É prática generalizada de há 3 anos para cá)

Artigos recomendados: Histórias de Telemóveis, de Pacheco Pereira

ASP

OlharRuminante 1106
O aerómetro

O actual governo tem sobre as suas funções ideias peculiares.
Em tempos idos, quando em democracia, os governos achavam que estavam no poder para reformarem a Coisa Pública no sentido de o Estado servir melhor os cidadãos e era nessa noção de SERVIÇO PÚBLICO que os políticos encontravam a fundamentação ética para ocuparem o Poder.
Hoje, quase que só o consumo de ar respirável ainda se não submeteu ao princípio do
consumidor-pagador (com este Governo será uma questão de tempo).
Como blog de vanguarda,o Rudegolpe pretende aqui antecipar essa situação.

Numa primeira fase há que implementar a investigação tecnológica (privada) e desenvolver-se um concurso público (para privados) para concepção-construção-fornecimento dum aerómetro portátil (11milhões de aparelhos), a acoplar a cada português, que meça o volume de ar consumido e que comunique esses dados a uma central processadora, via telefone, por exemplo, que os processará de forma a enviar para casa dos consumidores os respectivos valores mensais, para pagamento. Um modelo especial será usado para estrangeiros e imigrantes.
Como se sabe, o consumo de ar em respiração, bem como noutro género de usos, que serão oportunamente regulamentados por outras vias, conduz a poluição através do ar expirado, ao que foi retirada percentagem significativa do oxigénio e aditados outros gases, inclusivamente prejudiciais para a camada do ozono.
Pela utilização obrigatória dos aerómetros por-se-ão em prática, assim, dois dos princípios sagrados da sociedade super.liberal ? o já referido consumidor-pagador, um quase emblema da Direita; mas também o do poluidor-pagador, tão reclamado pela Esquerda. Uma solução de unanimidade central.
Corrigir-se-ão, também, assimetrias hoje em dia existentes, entre cidadãos de pequena e grande capacidade toráxica, contribuindo-se desta forma para uma sociedade mais igualitária.
Não sendo justo que o ar seja pago todo à mesma tarifa, poder-se-ão criar valores diferentes consoante o grau de poluição ou as características físicas do utente (preços mais baixos em Estarreja ou especiais para asmáticos, por hipótese).
Numa 2ª fase deverá o Governo criar um OCPAP (Observatório do Consumo Privado do Ar Público), que lhe permitirá encaixar alguns dos parentes ou amigos ainda não tachados (não confundir com taxados, de taxa; tachados, significa com tacho). Esse OCPAP terá dois anos para elaborar um PNTCAP (Plano Nacional de Taxação do Consumo do Ar Público), que permitirá a constituição do IRSCAP (Instituto Regulador do Sistema de Consumo do Ar Público) e da ARDP, EP (Ar de Portugal, E.P.
Esta empresa será resultante de um concurso (internacional) para a concessão da exploração dos aerómetros, segundo um regulamento editado pelo IRSCAP que impeça o uso de dispositivos piratas (bombas de oxigénio, etc) e enquadre o uso médico de ventiladores e outros equipamentos de saúde, a taxar noutras sedes.
Um estudo paralelo deverá ser desenvolvido sobre as influências no negócio de desumidificadores e termoventiladores.
Espera-se que, para o Governo, estas medidas sejam um ar que lhe dê.

ASP

Olhar Ruminante 1105

A história verdadeira de São Bagão e do seu pacto com Santanás

São Bagão (séc. XX-XXI d.C.) foi santificado por ter sobrevivido ao martírio durante o consulado do tirano benfiquista de Valiazevedius.

Alma de crente, respeitador das coisas da Fé e da Obediência nos preceitos da Santa Madre Igreja, entregou-se à sua missão de evangelização na pobreza e no alheamento das coisas do mundo, contribuindo para os desígnios do Senhor numa instituição bancária destinada à glorificação da Obra e no pressuposto que o verdadeiro fiel deve aceitar beatificamente a Suas opções: se Deus quis que alguém fosse rico, pois tal não deve ser contrariado, mas antes reforçado; e se o Senhor quis que estoutro fosse pobre, quem somos nós para contrariar os desígnios do Altíssimo?

Daí que tenha sido um dos chamados para assegurar uma reforma na Segurança Social e modificar o clima agonístico nas relações laborais entre patrões e assalariados, transformando-o, em concórdia, em branda contestação, bastando para tal, com um sorriso, nada ligar ao que diziam as partes.

Um primeiro milagre daí decorreu: tendo estado inserido em posto de tal forma escaldante, passou dois anos sem se queimar, o que foi atestado pela Ciência e confirmado pelo cronista-mor e insigne cortesão Luís Delgado, à data ainda suposto ser homem de Fé, hoje já desvendado ter vendido a alma e as jogadas de poder, a Santanás.

Com os tempos, o prestígio de santidade de S. Bagão não parou de crescer, ao ponto de fazer sombra a outras figuras do Além com ambições à direita do Senhor.

Santanás era um deles. E, disfarçado de estadista, com palavras vãs e outras falsidades, convidou S. Bagão a partilhar com ele um pacto para a Salvação do País, que, contudo, teria de passar primeiro pelo convencimento do povo das suas qualificações e intuitos benevolentes, para o que contava com a cumplicidade o nosso Santo.

Mas S. Bagão era não só santo, mas também esperto e disse-lhe que sim, porque se dissesse que não é que perdia toda a capacidade de cumprir a sua missão grandiosa, tendo de voltar para o insignificante posto de director milionariamente remunerado no Banco do Senhor. Mas jurou a si próprio que só diria três mentiras, e não mais.

Ora deu-se o caso de que Santanás afirmou, por ser lisonjeiro e enganador por sistema, que ia manter os limites do deficit abaixo dos 3% do PIB e que, simultaneamente, ia alargar os cordões à bolsa e fazer uma festa, dando a entender que os dois anos passados tinham sido de mortificações desnecessárias, derivadas ou do masoquismo redentor da mártir Manuela ou de uma enorme incompetência governativa do seu (dela) governo.

São Paio interveio então, humildemente, como é seu apanágio, questionando então como é que era, se Santanás cumpria ou não o que lhe havia prometido, aquando do prodígio da sua investidura, ao engano, é bom de ver, mas que o santo, preocupado com as imensas preocupações que diariamente lhe advêm, não descortinava.

Santanás teve de recorrer ao pacto, então, pela primeira vez.

E São Bagão, pela primeira vez, mentiu, então. E rezou, em prol da remissão dos seus pecados.

Insiste Santanás e comunica ao país que vai baixar os impostos.

Reúnem-se os sábios, os pegureiros e os economistas e interrogam-se de como realizar tal prodígio.

E São Bagão, não negando a afirmação do outro, apontou tantos ses e porques que calou os incrédulos. E foi a sua segunda mentira, que alguns escolásticos preferem chamar de falta à verdade, porque o intuito era bom, intuito de santo.

Finalmente veio a apresentação do OE de 2005. Santanás, o Enganador, prometeu maravilhas e reportou para o nosso santo a defesa do assunto. E São Bagão, depois de muito orar (ora bolas, ora se você fosse para etc) viu-se forçado a dizer que sim, que o orçamento era sério, viável e verdadeiro, ao ponto de, ao que consta no Olimpo, ter convencido São Paio, que já estaria para aí virado, por razões que na devida altura poderão ser contadas.

Um verdadeiro milagre, que foi aceite por vir de São Bagão, mas que o povo menos crente começou a murmurar que era uma fraude, uma diabrice, uma incompetência, um perigo, quase um pecado, nefando ao nível da homosexualidade. Foi a 3ª mentira.

São Bagão apertou o cilício e mortificou-se intimamente. Mas sentiu-se liberto da sua parte no pacto.

Vem agora São Bagão dizer que era mentira a descida dos impostos para o ano e que, no fundo, tudo mais não é que uma enorme e diabólica fantasia, que nem mesmo a sua capacidade milagreira conseguirá cumprir.

Bem haja.

ASP

N.B.- O responso a São Bagão tem demonstrado possuir virtudes milagreiras em casos de inchação de IRS, pústulas orçamentais e outros males financeiros. Dever-se-á recitar 10 vezes seguidas, se possível sem respirar a seguinte quadra:

Bem haja São Bagão,

de coração lampião,

que mantém sem solução,

os outros que por lá estão.

Amén

ASP



TPubliquidades 10NOV
Títulos do Público, ligeiramente comentados, para arquivo e memória futura

Tema dominante ? Médio Oriente. Americanos iniciaram nova batalha de Falluja, rua a rua, casa a casa. A vitória ou o martírio são ambos considerados grandes honras.
Suha estará a tentar vingar-se dos lideres da OLP que a afastaram da esfera de poder do marido. ?Todas as flores bonitas acabam rodeadas de ervas daninhas?, diz.( segundo o ditado árabe: elas cá se fazem, elas cá se pagam. Parece que Arafa/Suhat eram a 7ª fortuna do Mundo. Dá folga para dizer coisas)
Em artigos, o rescaldo das eleições nos USA.

1. IRS só desce a sério em 2006 e com eleições legislativas à vista. Bagão Félix diz que é mentira baixa plena de impostos já no próximo ano. Ao contrário do que foi insistentemente apregoado pelo primeiro-ministro, o impacto da descida do IRS em 2005 será reduzido. (Olha o espanto! Já repararam que 2006 é a data recorrente na maioria das iniciativas em todos os domínios agora anunciadas? Porque será?)
2. Comissão Europeia deve chumbar negócio do gás e electricidade. A aquisição da GDP pela EDP e pela italiana ENI deve ser reprovada pela CE. A espanhola Gás natural vai investir 400 Meuros em Sines, com dois grupos geradores de 400 MW cada. Obras terminarão em 2007.
3. Assis afirma não estar obcecado pela candidatura à Câmara do Porto (está apenas muito interessado). Órgãos do PS reafirmam que a questão dos nomes é prematura e que a escolha vai ter a intervenção pessoal de José Sócrates.
Manuel Alegre vai criar no Porto um novo clube de reflexão política (É a única forma de actualmente em Portugal se poder debater ideias políticas. Também servem para pequenas e salutares conspirações. Os poderes estabelecidos detestam-nos. Só para ingénuos, puros e herois)
4. Abaixo-assinado no PCP critica trabalhos preparatórios do Congresso. Mais um texto que pede abertura e defende a necessidade de superar as lógicas internas de intolerância, rotulagem e exclusão (os subscritores ficarão seguramente rotulados e na mira de exclusão numa próxima oportunidade)
5. Henrique Chaves acusa críticos internos de Santana de profunda cobardia, por não quererem ir ao congresso do Partido (é a típica lata e argumento de todos os aparatchiks. Não se interroga sequer por que razões as figuras mais prestigiadas do PSD se recusam a alinhar na missa laudatória que vai ser a coisa!!!!)
6. Colômbia entrega aos EUA o maior traficante do mundo, o chefe do cartel de Cali. Orejuela, o ?xadrezista? (rude golpe no tráfego, junto à detenção das tias de Arraiolos)
7. Suspeita de ligações entre terroristas na Holanda e na Espanha (a fonte marroquina).
8. Violência já fez mais de cem mortos na Costa do Marfim. O número de baixas não para de crescer, enquanto milhares de estrangeiros procuram fugir. Condenação Internacional generalizada.
9. Telmo Correia anunciou 34,4 Meuros de incentivos financeiros à indústria do golfe (64% para o Algarve, 34% para Lisboa e 2% para Beiras).( 7 milhões de contos dá para muitas bolas para o pinhal. Mais uma mono- ideia de Portugal, que vai, saltando de moda para moda, a caminho do subdesenvolvimento acelerado! Agora é tudo golfe)
10. Inquilinos (Alvalade e Avenidas Novas) formam comissão e reclamam renda
condicionada (Amén. Inquilinos de todos os bairros, de todas as rendas, uni-vos contra a incomensurável injustiça e insensatez de que Arnaut se honra. Ou conseguem um pouco de razoabilidade na Lei ou estão completamente lixados. Vos garanto)
11. Ministro da Justiça equaciona deslocação da Cidade Judiciária. Alegada continuação das obras levou Sá Fernandes a requerer aplicação de sanções pecuniárias e inquérito ao crime de desobediência.( A Grande casa da Justiça cheia de ilegalidades)

Artigos recomendados: Populismo orçamental? Começa a haver razões para considerar populistas as opções orçamentais em matéria de descida do IRA ? J.M. Fernandes

ASP

Publiquidades 9NOV
(quase sem comentários por falta de tempo do comentador de serviço)
Tema principa
l - homenagem a António Lobo Antunes pelos 25 anos de edição.

1. Pedro Strecht acusado de difamação por Paulo Pedroso e pelo Ministério Publico?.por ter afirmado ao Correio da Manhã que os arguidos do processo de pedofilia da Casa Pia?ameaçaram de morte algumas das crianças que os acusam de violação, (o que deu azo a qualquer dos arguidos se sentir acusado. O primeiro foi Pedroso. O MP não sei porquê)

2. Gabinete de Pedro Silva Pereira ajudou a viabilizar hotel nas dunas de Monte Gordo (não chegando a tempo com o documento que teria evitado a emissão do alvará). O director do Público reconhece que PSPereira deveria ter sido ouvido antes da publicação da notícia, mas contesta termos como "exercício repugnante de mau jornalismo" usados pelo visado.

3. Ártico está a aquecer mais do que o resto da Terra, a ritmo duas vezes superior. Temperaturas de Inverno estão a 4 graus mais quentes do que há 50 anos. (é uma das consequências do "efeito de estufa", que pode fazer subir o nível dos oceanos pelos degelos. Pelos vistos está em processo acelerado)

4. Oposição acusa Governo de não cumprir Bases da Segurança Social, reduzindo as transferências do Estado. Ministro da tutela diz que não é possível transferir as verbas previstas. Afirma, contudo, que em 2006 será obtida a convergência do Salário Mínimo com a Pensão Mínima (por aumento desta, está bem de ver. Golpes de Magia ou de pura Fantasia, vamos ver)

5.Autarcas acusam Governo de discriminar Setúbal. Distrito sofreu um corte de 40% nas verbas do PIDDAC. Contudo o ministro Fernando Negrão afirma que"houve um aumento de investimento naquilo que são infra-estruturas para o desenvolvimento". O PIDDAC de 2005 não terá sido feito pelas mesmas regras dos anteriores, pelo que não são comparáveis. Há assim, fora do PIDDAC, previstos investimentos de 18,8 Meuros para 3 unidades hospitalares, por vias do aumento de capital das respectivas sociedades anónimas. "Há muito mais dinheiro e muito mais vida para além do PIDDAC", diz o deputado Luís Rodrigues (Assim seja)

6. Paris diz que não quer derrubar Presidente da Costa do Marfim.

7. Desprezando a mulher de Arafat, dirigentes palestinianos vão a Paris.

8. Americanos lançam assalto ao bastião rebelde de Falluja.

9. Caso Marcelo: director da TVI (JEMoniz) acha que já está " a chover no molhado". A AACS convocou-o pela segunda vez.Ex-director do DN (Fernando Lima) acusado de censura (em tempos) por administrador da Lusomundo Media ( Bettencourt Rezendes) (zangam-se as comadres?)

ASP

Publiquidades 8NOV
Títulos do Público do dia, para memória futura
Dica: o grupo na UE que apoia Bush, é conhecido pelos homens de Bushelas.

Tema segunda pág: Corte pelo Governo dos benefícios fiscais dos autores (2 pag.)
José Manuel Fernandes em artigo de fundo, esclarece a questão dos artºs 12º e 13º da Constituição europeia (gestão dos recursos biológicos das ZEE) ? ninguém nos roubou o mar, nós é que nos esquecemos da importância estratégica da nossa ZEE.

1. Governo prolonga missão (da GNR) no Iraque até Fevereiro. Oposição contra.
2.Norte deve apostar na Galiza em detrimento de Lisboa, é a opinião do líder do PSD-Porto, Marco António Costa, defendida anteontem no Conselho estratégico Sectorial
3.Monteiro diz que muita gente do PSD prefere uma coligação com ele (é tudo uma questão de se definir o que é muita gente)
4. Pedro Silva Pereira defende-se da notícia "falsa e difamatória" (ver Publiquidades 6NOV) que levantava suspeitas quanto à lisura do licenciamento de empreendimento de filho de Almeida Santos.
5.Iraque declara estado de emergência em todo o país. À anunciada ofensiva contra Falluja, os rebeldes continuam a responder com mais ataques (veja-se 1.. A explicação é que vai haver eleições democráticas no Iraque dentro de dois meses. Está-se mesmo a ver.)
6. França quer resolução da ONU com sanções contra a Costa do Marfim. O número dois do regime de Gbagbo diz que poderá haver reacções hiperbárbaras à presença militar francesa naquela antiga colónia.
7.Ansiedade atinge 15% dos portugueses ( e se continuar este Governo poderá chegar a 100%)
8. Nobre Guedes faz pazes com os autarcas alentejanos (a questão das águas e de Bruxelas. Eh compadres, foi apenas um atraso, nã me esqueci, tentei foi adoptar o alegado ritmo alentejano. Fica lá para Dezembro, se ainda cá estiver)
9. Moradias ilegais invadiram duna primária da Península de Tróia. Na REN. Concluídas e com licença de habitação, apesar de embargadas. Lotes 218 a 232 da Soltroia. (As explicações dadas pelo promotor e pela CMG confirmam grande baralhada. O normal, em suma)
10. Região Norte foi a que menos convergiu com a UE. Nos 15 anos após adesão, o PIB/capita português subiu de 56,1% para 70,7% do da média UE, isto é, 15,6 pontos percentuais. Norte apenas subiu 5,8. (é bom saberem-se estes números para os calar com os mouros que não trabalham.)
11. Mexia faz o balanço dos 100 dias do Governo: Transportes: Os preços do serviço público de passageiros irão aproximar-se do custo efectivo da operação, mas com uma diferenciação para os passageiros com menos rendimentos (com menos rendimentos do que quê?). Nos portos a holding estatal vai ficar responsável pelo desenvolvimento, enquanto os privados investem nas infra-estruturas e prestam serviços, como já sucede no Porto e Leixões. Ota congelada, Portela alargada, com investimentos de quase 400 Meuros na actual aerogare que vão permitir movimentar 15 a 16 milhões de passageiros em 2009. (A este ritmo um Novo aeroporto só estará pronto em 2015, se começar já. Está-se com quase 11 milhões de passageiros e o ritmo de crescimento é de mais de 10%/ano. Portela já próximo do esgotamento. A questão é de falta de espaço, que se não resolve com obras, que só agravarão a operação até 2009. Enfim, o que pode fazer uma afirmação tonta de Durão, à espera do fim das listas de espera das criancinhas nos hospitais?). A morte anunciada das SCUTs : Já está lavrada no DR e o CM já aprovou a empresariação do IEP (a questão do financiamento das estradas não portajadas é uma questão de falta de verbas e não de modalidade institucional. A empresariação é apenas uma desorçamentação conjuntural). Down ?grade no TGV. Os 1162 Km do projecto de alta velocidade acordado ma cimeira ibérica, com um custo estimado de 12.000 Meuros, podem ser reduzidos a metade ( e eu concordo. Haja tino!)

Artigos recomendados: Demagogia e Salários dos Políticos, de Nuno Garoupa ? uma análise lúcida e clara da questão, em Portugal. Para cada um a sua verdade, de E. Prado Coelho (um pouco atrasado, sobre non-senses de Pires de Lima, a propósito da crise Marcelo). Entrevista com Álvaro Barreto (as desventuras de um homem considerável no Reino da Alice das Maravilhas)

ASP

domingo, novembro 07, 2004

Publiquidades 7NOV
Títulos do Público, sem desporto, por vezes comentados para memória futura


Tema principal: Menores em risco (22.000). Comissões sem meios para garantir a protecção de menores em risco (8 pgs)

1.Alvaro Barreto acha normal actuação do patrão da TVI e critica o colega do Governo, Rui Gomes da Silva, dizendo que não faria o mesmo. Luís Nobre Guedes critica estado da Justiça e da Saúde (o Governo, através dos seus mais lúcidos, começa a perceber que a onda de críticas pelos jornais, não se deve aos jornalistas, mas à má actuação do Governo. Talvez assim deixe de querer matar o mensageiro quando a mensagem lhe não convém)

2. Todas as soluções são possíveis (sobre a continuação da GNR) para o Iraque, disse o MAI, ontem (Parece que está dependente das eleições iraquianas serem em Janeiro. Se forem ficam. Se não, não ficam. Santana diz que o assunto já foi tratado internamente com o PR)

3.Sócrates elege o desenvolvimento do interior como 1ª prioridade. "Foi o modelo das Scuts que permitiu que, pela primeira vez, houvesse auto-estradas no interior do País". "O Governo desistiu do interior" (dedicou-se mais ao exterior a mandar tropas para fora, a 1 milhão de contos ao mês)

4.Petição subscrita por mais de 30.000 açorianos e madeirenses propõe referendo contra norma da Constituição Europeia (transferência da gestão dos recursos biológicos do mar para a UE) "Incrível como o Governo deixou passar esta medida sem qualquer contestação".Carneiro Jacinto, porta voz do ME diz que "Não há nenhuma alteração relativamente às competências nacionais em domínios como o mar. Portugal continua a ter a sua ZEE e a ter que negociar a sua quota de pesca" (em que ficamos? O facto é que os artºs 12º e 13º da Constituição, atribuem "competência exclusiva de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos biológicos do mar à União Europeia". O MNE acha que a questão é apenas de semântica)

5.População de Canas deposita urânio à porta de Sampaio. Manifestação foi o reinício do processo de luta da freguesia para elevação a concelho ( está visto onde foram parar as armas de destruição maciça do Iraque?.)

6. 6 Palestinianos mortos na faixa de Gaza. Rebeldes fazem 33 mortos em Samarra e americanos bombardeiam Falluja, no Iraque. (Infelizmente já não é notícia, por ser rotina) 9 soldados franceses mortos por forças da Costa do Marfim. Paris enviou mais tropas para o país. Conselho de Segurança reúne-se de emergência (Isto é notícia e ainda vai dar que falar)

7. Conselho Nacional de Reflorestação concluiu primeiras propostas para preparar floresta contra o fogo (quer dizer, conclui a versão preliminar, para discussão, de umas "orientações estratégicas para recuperação das áreas ardidas em 2003". Nelas se poderão encontrar praticamente todas as recomendações proferidas desde 1980 sobre o assunto. Donde haver tantos "deve-se", "há que", etc, sem um programa concreto e de emergência, com locais, meios, orçamentos e cronogramas das acções a desenvolver. O difícil em Portugal não é opinar, recomendar ou criticar, onde somos mestres, é passar da palavra ao acto, à implementação, onde nem aprendizes somos)

8. Mexia promete revolução nas infra-estruturas viárias em Bragança. MOP anuncia investimento de 800 Meuros para o distrito, nos próximos 6 anos: auto-estrada Amarante-Quintanilha; conclusão do IP2 (Bragança-Faro) e construção do IC5 (Póvoa do Varzim- Miranda do Douro). Garantiu que estas "obras são para já". Vai ser lançado concurso de projecto duplicação do IP4 (Bragança-Vila Real) + construção em 2005 da ponte de Quintanilha (será que estamos a falar do Portugal de 2004? O que é que o ministro tem que consegue fazer tudo isto "para já", mesmo que o "já" sejam 6 anos, com o Estado a tinir,? Que reformas, que se não vêm, nos procedimentos, nos processos e nas estruturas do IEP foram feitas? Ou será essencialmente o voluntarismo e a dinâmica de alguém recém-chegado ao sector? Ou o gosto pela promessa agradante?)

9.Autarcas de 20 municípios alentejanos dizem-se enganados por Ministro do Ambiente e querem indemnização do Governo. Nobre Guedes comprometeu-se a entregar a 15 de Setembro, em Bruxelas, um projecto para abastecimento e saneamento (35 Meuros) para 20 municípios do Alentejo (160.000 pax). Mas até anteontem o documento não deu lá entrada (talvez uma promessa excessivamente voluntarista deste ministro?Ah como é fácil ser Governo e tão difícil governar! Lembram-se?)

10.Erros médicos causam mais de 3000 mortes por ano (em Portugal).

Artigos recomendados: O que é o pluralismo?, de Sebastião Lima Rego; O plebiscito, de António Barreto (contra a Constituição Europeia); As leis dos despejos, de António Abreu.

ASP

Publiquidades e Expressividades 6NOV
Títulos a preservar para memória futura, por vezes comentados

Público

Tema dominante
: a pré-morte de Arafat e a predição do depois

1.Ministério da Justiça quis acabar com escutas telefónicas nos crimes de corrupção activa. Reacção de investigadores e magistrados obrigou ministro a recuar. (seria porque o equipamento não daria para tudo, nomeadamente para as escutas com fins políticos?)
2.Ministério do Ambiente manda averiguar hotel ligado a um filho de Almeida Santos, viabilizado em 2000 pelo ex-SE Silva Pereira, contra numerosos pareceres da CCRAlgarve. (Será que o facto de Silva Pereira ser o braço direito de Sócrates tem alguma coisa a ver com isto? Lembro, por exemplo, um enorme edifício feito nas arribas de Sesimbra mesmo em cima da praia, objectivamente ilegal (REN, pelo menos), que continua impávido e sereno a ser construído, apesar de queixas insistentes de populares. Só que não tem ninguém notável da Oposição ligado à coisa?.)
3.Defesa promete saldar dívidas das missões militares (e criar outras, 60 Meuros para 2005 só para missões no Estrangeiro dá para mudar o nome do Ministério de Min. Defesa Nacional para Ministério de Defesa Internacional. É um verdadeiro despautério o orçamento 2005 da Defesa, à custa de outros sectores muitíssimo mais prioritários. Porque será?) Recuperação da indústria naval passou a obsessão (Aqui já estou de acordo, vêem?) Contingente português no Iraque envolvido em troca de tiros.
4. Comunidades portuárias contestam criação da holding dos portos, para ter economias de escala e aumentar a competitividade (Parece que a ideia decorre de terem deitado fora o Livro Branco do Consiglieri Pedroso e pedido a um consultor espanhol (Sponsor) para recomendar a estratégia. Mas a questão não está aí. Está que a estratégia para o sector não pode ser só de mudança institucional e de rearranjos financeiros. O Norte, especialmente, protesta. Os dirigentes dos portos do Sul são mais atentos, veneradores & obrigados)
5. Governo lança concursos para novas estradas - 485 Km de concessões; 1880 Meuros. Em 2005: 50km em Portalegre; Malveira-Ericeira, 28km, 128 Meuros. Em 2006: Ligação Sines-Ficalho, 150Km, 370 Meuros; Vila Real- Bragança, 150 km, 650Meuros; circular de Leiria, IC36, 7km, 60 Meuros; AE Baixo Tejo, 21km, 75Meuros. Em 2007: Ic12 (Mira-Mangualde, 79Km e 475 Meuros. (Não se espantem os leitores: tudo isto é feito em esquema negócio e não serviço: quem investe serão os concessionários e quem paga serão os utilizadores, porque será tudo portajado) O ministro quer reduzir o tempo de adjudicação para metade. (se for como no IC16, a adjudicação será lá para 2015). Tarifas nas SCUTs serão entre 85 a 90% das da tarifa média da Brisa , alegadamente de 5 cêntimos (Ora a tarifa média da Brisa, segundo os meus dados, é de mais do dobro desse valor)
6. Lisboa aberta a portagens à entrada da Cidade. Mas planos de emergência em caso de sismos só daqui a dois ou três anos. Importação do modelo de Londres para as duas principais cidades do País é criticado pela Quercus, que acusa o Executivo de não ter consciência do que se passa nas cidades (seguramente só esta medida não resolve nada e até complica. Quando é que o Governo percebe que governar não é lançar ideias pontuais e espectaculares para o ar?)
7. Mina de S. Domingos pode acolher maior central solar do mundo, com potência de 166 Megawatts (ao mesmo tempo que o Governo diz ter dúvidas sobre a viabilidade da central de Moura, que tem metade da potência) (E ainda querem que as afirmações oficiais sejam consideradas pelo normal cidadão como mais do que meras bocas)
8. Governo cria central de compras para apoiar armadores. O fundo visa facilitar a aquisição de combustíveis a preços mais baixos (parece bem)
9. Euro bate record e aproxima-se dos 1,30 dólares
10. Casa da Música passa a fundação em Janeiro.

Artigos recomendados: Nem se acredita, de J.M.Fernandes (Há 3 meses que as autoridades sabiam que a água de 3 aldeias transmontanas estava envenenada e só há um mês lá foram colocar uns depósitos abastecidos pelos bombeiros. Curiosamente nada parece pesar-lhes na consciência). O feitiço contra o feiticeiro, de Fátima Bonifácio (uma leitura de fino cinismo sobre o OGE e os partidos)

EXPRESSO Economia

1. Bagão queixa-se da herança de Manuela, por ter "varrido" 1% do PIB de deficit para o OE de 2005.
2. Nicolau Santos diz que Bagão Félix acusa os jornais da descida do Outlook do Governo e afirma que, "infelizmente para o ministro, a culpa não é dos jornais, mas da política económica do Governo e do OE 2005". Quanto ao "rating": "o "rating português tem vindo sempre a melhorar desde 1991?mas bastaram 3 meses de actos e omissões do actual Governo e do Ministro das Finanças para se deitar por terra um caminho de 13 anos. É obra!"
3. Crime, disse ela. Crime económico na indústria da Construção (artigo)

Artigos de opinião recomendados: O sr. Costa em pânico, de C.Pereira da Silva (a triste sina da classe média, sob Santana)
Opinião, de Saldanha Sanches ? "Santana Lopes não consegue perceber que um Governo que se preocupa apenas com a imagem vai acabar por ter uma péssima imagem e Bagão Félix não percebe que manipular o Orçamento para além de um certo ponto para ganhar eleições pode por em causa o calendário eleitoral"
Esperar rezando, de Vítor Ramalho
O OE e as bananas, de Pinho Cardão ( crítica às críticas ao OE)
A vocação portuária portuguesa, de Jorge D'Almeida (um entusiasmo com as potencialidades de Sines)

EXPRESSO

Tems internacionais dominantes: Bush e Arafat

1. Pela Constituição Europeia perde a gestão dos recursos biológicos da sua ZEE. João Salgueiro comenta: "Na Europa ficaram muito surpreendidos por Portugal se não ter oposto".
2. 3000 mortes por ano por incúria. Um estudo inédito estima que em Portugal morrem mais pessoas por falhas médicas do que por sida ou em acidentes nas estradas (mais de 8 por dia) (Reconfortante saber-se, mesmo que seja patranha, que, segundo o Ministro, o SNS dará lucro em 2005)
3. Miguel Relvas, secretário geral do PSD apoia declaradamente Cavaco Silva Para a PR. Sintonia entre Cavaco e Marcelo na análise da situação económica portuguesa. Ex-ministras fora do Congresso do PSD (Ferreira leite, Leonor Beleza e Patrício Gouveia)
4. Artigo de fundo de JASaraiva: A agonia do DN. Segundo o arquitecto o DN ter-se-á vendido ao Governo e está moribundo.
5. Sócrates arregaça as mangas. O líder do PS concluiu a "fase de instalação". Com 2006 no horizonte vai iniciar o combate?na Economia. Manuel Pinho será o rosto do PS para os assuntos económicos. Previsível chumbo do OE de Bagão.
6. Juízes e MP contra ideias do Governo - luta contra possíveis alterações aos seus estatutos de independência e autonomia (leia-se privilégios de corporação).
7.Governo não reage a ataque do PS à PT. Sócrates defende que o Estado deve abrir mão das participações indirectas do Estado na imprensa. Morais Sarmento não comenta (mas terá pensado com os seus botões: esta lixou-nos!) Fernando Madrinha, sobre a demissão e as declarações de Fernando Lima, pergunta-se :" O poder das agências de comunicação já chegará ao ponto de demitir e nomear directores do DN?".
8. Portas paga pensões. " É com satisfação que lhe enviamos um vale postal no valor de 25,34 euros" (parece que o Orçamento do Estado não dá para mais e é uma "velha promessa". Em contrapartida o Estado vai gastar 5 Meuros por mês com o envio de tropa para o Estrangeiro (Iraque, Afeganistão, Bósnia, etc), não pensando, seguramente, que está a criar mais "ex-combatentes" a quem deverá pagar a exorbitância do 5 contos/mês, no futuro)
9. Reitores rejeitam cursos de 3 anos. O Governo quer levar por diante o acordo de Bolonha, mas a maioria das universidades teme perder alunos e financiamentos.
10. Cisão de oficiais na GNR. Os oficiais reivindicam a "ruptura" com o "domínio"do Exército e fazem ultimato ao Comando Geral. Mais de 200 oficiais reuniram-se esta semana em Sintra. Planeiam uma nova associação e acções de protesto. GNR fica no Iraque (pelo menos) até Janeiro.
11. Estudo da REN e da RAN (de Sidónio Pardal) com chumbo unânime. Pretende acabar com a EN e a RAN e fazer uma nova classificação dos solos em função das leis do mercado de transacções (o responsável apenas pôs por escrito o que há muito vem dizendo, não foi qualquer surpresa)
12. Governo edita livro dos cem dias (se for com obra de jeito realmente feita seria melhor ser um folheto; vai ser pela vaidade que se vai perder, já dizia a Srª Carolina)
13. Caneiro de Alcântara. Obras urgentes em Janeiro ainda à espera de verba ("só" estão em risco os viadutos do comboio da Ponte e outras estruturas viárias. A falta de verba é o grande desculpador nacional)

Artigos Recomendados : Mário Soares, D. Duarte de Bragança e Manuel Maria Carrilho.

ASP





sexta-feira, novembro 05, 2004

Publiquidades 5NOV
Títulos do Público por vezes comentados, para memória futura

Tema dominante: Yasser Arafat com morte cerebral. Palestinianos estão apreensivos sobre a sucessão do seu líder. Presidente Bush fala em recuperar Roteiro de paz no Meio Oriente. Há dois anos que a administração americana vinha ostracizando Arafat.

1.Formadores do CEJ voltam ao trabalho (80% dos que se demitiram) (Aguiar Branco um, corporação de juízes, zero)

2. PS quer privatizar império mediático da PT. O PS quer o Estado fora da comunicação social, excepto nas empresas de serviço público (PT out do DN, 24 horas, JN, TSF ,etc) . Também quer travar a concentração vertical nas privadas. Moção do PSD (ao Congresso) defende alienação pelo Estado de meios de comunicação social (os acima referidos. Pareceria estar no papo. Mas pago para ver. Verdade que também pago sempre, veja ou não veja)

3. Ex-director do DN diz-se vítima de luta de agências de comunicação" (para mim se ele não fosse cavaquista e o Governo santanista, ainda lá estava. Nisto de lutas internas é preferível ser mesmo do adversário, porque para o estilo de políticos que temos, o inimigo é mesmo o do nosso lado, mais perigoso)

4.Nuno Cardoso não abdica da escolha de candidato à Câmara do Porto (leia-se quer ser ele).Já falou com Sócrates (mas ficou pois, pois, depois veremos; seria mais simples que o Assis tivesse apoiado o Alegre)

5.Jorge Sampaio ficaria muito feliz com Europa federada. Está preocupado com o desconhecimento que os portugueses possam ter da Constituição europeia (acho que o nosso Presidente merece, depois de tanta preocupação, essa felicidade. Como Homem é excelente, como Político o que diz é certo, mas tem estado infeliz no que (não) faz nos últimos tempos. O referendo, que provavelmente vai ser pacificamente aprovado, vai ser um flop, com uns 80 a 85% de abstenções)

6. Presidente do PE contesta a denominação de Estratégia de Lisboa. "O nome de uma cidade não serve para identificar um tema ?este tema de estratégia de Lisboa não é muito revelador da realidade" (e os tratados de Roma ou Maastricht, as conferências de de Estocolomo ou Cardiff, etc????)

7. Bush quer reconciliação mas não mudará a orientação política (mas a divisão era exactamente sobre a sua orientação política?.! Está visto, o mundo está tramado) Na política externa o Iraque continuará a ser a prioridade. Médicos sem Fronteiras vão sair do Iraque. Londres não concebe um ataque ao Irão (É só os USA mandarem, isto de solidariedade não pode ficar pelo caminho)

8. Governo (Álvaro Barreto) apresenta 96 medidas para reduzir dependência do petróleo (incentivos aos TP, a abates de veículos velhos, aumento de multas por excesso de velocidade, taxas às entradas de Lisboa e Porto, incentivo à construção de barragens e centrais eólicas, incentivos aos colectores solares, etc). O Governo tem desde 2003 as orientações de política energética e o PNAC (Plano Nacional de Alterações Climáticas). O País importa 3 vezes mais petróleo por unidade do PIB do que a média dos países europeus. (OK, tudo bem, pelo menos não são os disparates com que outros ministros têm brindado o venerável público. Mas algumas destas medidas são "déja vu". Outras já foram propostas desde há muito e não se viu qualquer consequência. Outras (fiscais, por exemplo) são apenas para começar lá para 2006, talvez no dia de São Nunca. Por exemplo, na energia eólica, dos 3250 MW atribuídos ? e não foi seguramente fácil ? apenas 350MW estão em funcionamento. Razões burocráticas à portuguesa, quase um boicote)

9.CGD lança produto para o mercado da reabilitação urbana ? a "linha de Reabilitação Urbana Spread Zero" ? 3 anos de moratória de amortização, apenas com juros. Para projectos contratados até fim do 1º trimestre de 2005. Prazo entre 5 e 20 anos, para um crédito mínimo de 20.000 euros. (desconheço os juros e demais condições)

10. Interface (metro-linha Estoril) do Cais do Sodré estará concluído em 2006. Adjudicada o a HCI-Graviner por 5,4Meuros projecto de Pardal Monteiro. Monocarril de Oeiras continua a circular vazio. Ao fim de 5 meses, lotação só atingiu 7% do previsto. Caro, pouco prático, percurso pequeno e só funciona à tarde. É o SATU, que está programado ligar a estação e Paço de Arcos ao TagusPark.

11. Especialista (F. Nunes da Silva) critica ausência de "sistema de transportes alternativos consistente",após o fecho do túnel do Rossio. 60.000 utentes tiveram de alterar em cima da hora os seus padrões de deslocação, sendo as alternativas de transporte apresentadas?"remendos feitos completamente em cima da hora". Propunha a ligação em eléctrico entre Algés e a Damaia, "que está a ser protelada de forma completamente escandalosa".

12. Proposta de orçamento da Saúde para 2005 prevê lucros.( O Milagre dos Pensos: em 2004 o SNS teve um prejuízo de 1311 Meuros; em 2005 o ministro prevê lucros de 193 Meuros!!! Querem que a gente acredite?) Entidade reguladora da Saúde sofreu corte de um terço da sua verba (Se se seguir o exemplo de cortes de cerca de 30% para todas as instituições, de Saúde, talvez se consiga o resultado atrás prometido). SNS precisa de novo modelo de financiamento (para quê, se o actual até dá lucro?)

Artigos recomendados: Bush e a Guerra, de Pulido Valente, God Bless America!, de Miguel Sousa Tavares, Juízo e Cabeça Fria, de Correia de Campos e, como contraditório dos anteriores, A derrota das Ideias Feitas, de Manuel Queiró

ASP




quinta-feira, novembro 04, 2004

Olhar Ruminante 1103
O meu amigo X

O meu amigo X disse-me outro dia, entre duas passas do Português Suave que já lhe está colado ao semblante, que ?Isto está ficando mesmo fossa?.

Sempre pronto a sacar do meu racionalismo portátil, quis logo saber o que era Isto, o que ele queria dizer com fossa e porque é que Isto estava ficando, mesmo, fossa.

Isto, é a vida no país, que ele afere pela vidinha própria, a dele. O governo diz que está tudo a crescer, uma boa, convergência e rigor, mas ele nunca esteve tão mal e vai ser pior, quando lhe acabar o subsídio de desemprego, sem direito a reforma para já e quando o senhorio lhe pedir uma renda que nem vendendo os móveis todos dará para pagar seis meses. Como com os salários da mulher e da filha está acima dos 3RMN, está lixado. Na merda, disse. Praticamente pobre.
Mas não era.

É fossa, porque é merda parada, esclareceu.
Não sabe o que há-de fazer.
Fuma para acelerar a morte, dizem.
Vai fumar a suavidade portuguesa até morrer.

ASP

Publiquidades 4NOV
Títulos do Público, sem desporto, para memória futura, com pequenos apontamentos a propósito.

Tema dominante: a vitória de "Double" Bush nos Estados (des)Unidos da América (10 páginas)

Títulos:
1.PSD e CDS preparam programas eleitorais separados para 2006. Os dois partidos consideram normal fazerem caminhos alternativos (para chegarem ao Poder, depois, podem sempre rever as suas promessas, e até as contrariarem, como o fizeram em 2002). CDS ignora Manuel Monteiro (é um caso shakespeariano). O PSD quer coligar-se connosco, diz Monteiro (parece ?que há sociais-democratas interessados? nisso. Darão para um jantarzinho íntimo)

2. Cavaco Silva receia legislativas antecipadas. Cavaquistas querem esperar pelo Verão. Saída de Durão desmotivou ex-primeiro ministro (Provavelmente espera que as suas rezas só tenham algum efeito com o calor do Verão)

3.Presidente do Supremo manifestou reservas à nova directora do CEJ (ciente)

4.API insatisfeita com entraves ao investimento, ou seja, situações, acções ou omissões que prejudicam a actividade das empresas e que não são imputáveis ao investidor (chamam-lhe custos de contexto. Há 56 casos por resolver. Promessas que estão por cumprir).

5. Aeroporto de Lisboa já está em cima do limite da sua capacidade. Tráfego deve aumentar 12% para 10,8 milhões de Passageiros em 2004. (mas o Governo continua a dizer que um novo aeroporto não é necessário, aparentemente porque a ideia foi do Governo PS e prepara-se para aguentar a Portela, a custo de investimentos monstruosos, até rebentar pelas costuras, o que vai acontecer dentro de 10 anos, onde será imprescindível ter-se um novo aeroporto. A não ser que parte do tráfego passe a usar Madrid, para aumentar a viabilidade ao TGV. Ou que não haja criancinhas em filas de espera nos hospitais)

6. Salários congelados na VW até 2007. Trabalhadores trocam aumentos por garantia de manutenção de empregos até 2011 (consequências do liberalismo à solta, meu)

7. Frank Ghery em Lisboa, teve ontem á noite com Carmona Rodrigues um ?encontro de amigos? (sempre são 7% de 130 Meuros que espera receber, uns 2 milhões de contos, pelo menos).

8. Supremo recusa penhora de carro Camarário (em Ourique). A penhora de um carro do executivo camarário por dívidas a um empreiteiro, foi recusada pelo Supremo TJ. (Nas pessoas colectivas de direito público os automóveis são bens impenhoráveis, ficámos a saber)

9.Profissionais de saúde pedem programa nacional de combate á violência no sector. Problema é pouco denunciado e há falta de consequências para os agressores. Casos em três quartos das instituições (vale-lhes já estarem no hospital)

10. ICN tem telefones e orçamento cortados. Vai ter 1,2Meuros a menos para gastar em despesas correntes em 2005, mas poderá receber até 4 Meuros a mais para investimentos. ( Se conseguir fazer umas chamadas...)

11. Caçadores mataram a última fêmea de urso pardo originário dos Pirinéus, de nome ?Canela?. (Não, não eram portugueses, eram franceses, míopes, que andavam à caça de javalis)

Artigos recomendados: Um editorial do DN , por Pacheco Pereira

ASP

Olhar Ruminante 1102
Conselhos behind the bush

Ensinou-me um sábio novo, com MBA no MIT, quando estive em estágio de sabedoria inútil num país desconhecido do Oriente, que não vale a pena preocuparmo-nos com aquilo que não podemos influenciar. Ipsis verbis , devemos é procurar influenciar aquilo com que nos preocupamos.
Não é claro, mas nenhum pensamento profundo o é.
Devemo-nos pois precavermo-nos para todas as eventualidades.
Sem preocupação, mas com cautelas e caldos Knorr, que nunca fizeram mal a ninguém.

Um outro extremo sábio oriental, este mais velho e que só sabia a idade em chinês, reforçou o conselho, dando como exemplo os tufões. Dizia ele Tai Fun, que alguém me disse tratar-se de vento de Deus, matéria sobre que mantenho até hoje alguma dúvida.
Deus está muito, aliás, na boca dos políticos americanos, o que Lhe não deve agradar especialmente, dado o conhecido costume deste povo de mascar goma Adam?s, traduzindo, ?a do Adão?, constituindo subsequentemente, segundo alguns teólogos conservadores, o antídoto para o pecado que alguns ainda chamam de original, mas que hoje em dia é absolutamente vulgar.
A goma é provavelmente responsável pelas dificuldades de entendimento da maioria dos europeus relativamente ao que dizem muitos americanos, a começar pelo seu presidente.
Outros acham que ele não sabe mesmo o que diz. Tal justifica que o Congresso pretenda actualizar o nome da Casa Branca para Casa Bronca.
Pensava eu em Bush filho, bebendo um Bushmill?s, no Clube inglês de Adis Abeba (Ah diz? É bêbado). É mentira.

P.S. Não estranhem a estranheza deste texto. Se o lerem com cuidado é muito mais coerente e lógico que a maioria das asserções dos poderosos deste mundo e deste país. Veja-se Santana e o seu porta-disparate Gomes da Silva.
E eu estou a precaver-me para todas as eventualidades, treinando-me em trocadilhos. Conselho de sábios orientais.

ASP

quarta-feira, novembro 03, 2004

Olhar Ruminante 1101
O regresso ao futuro

1. O Presidente americano George W. Bush é um poderoso agente da Lei.
Concretamente da Lei da Entropia.

2. Fica sempre bem uma pequena citação.
Esta é de Edgar Morin, mas podia ser minha ou de qualquer outro pmgp (pequeno, médio ou grande pensador):

?Tout progrès est partiel, local, provisoire, et, de plus, produit de la dégradation, de la désorganisation, c?est-à-dire du regrès »

3. Numa atitude anti-americobushiana não traduzo.

4. Mas é assim mesmo. Estamos a entrar no regresso, depois de um curto período de progresso, qualquer coisa como 3/4 da minha vida.

5. Regresso americano ao futuro do mundo.

6. J?ai un profond regret du regrès.

ASP

Olhar Ruminante 1026

Fantasia

Muito eu gostava de ser amigo pessoal do Presidente Jorge Sampaio. Por um lado porque é uma personalidade apreciável, honesta, afável, sensível e culta. Por outro porque me daria a oportunidade de lhe escrever cartas e elas serem lidas.

Por exemplo, neste momento, ter-lhe-ia escrito a seguinte:

"Meu caro Jorge

Sabes o que penso sobre a tua passada decisão de nomeares Santana Lopes para chefe do Governo da Nação. Foi um erro de que tu provavelmente já estarás arrependido. Mas, caro Jorge, se errar é humano, o reconhecimento do erro redime-nos e aproxima-nos dos santos e dos heróis. É nesse reconhecimento que o carácter dos homens se manifesta e a genuinidade do intuito se confirma.

Não tenho dúvida, nem ninguém de boa fé terá, suponho, que tu, ao escolheres Santana, pensavas estares a fazer o que melhor consideravas para este país.

Mas não estavas, evidentemente, seguro. Donde teres explicitado condições e garantido que vigiarias de perto o seu cumprimento.

Se bem me lembro eram, grosso modo:

a)Que este governo pudesse ser considerado uma continuidade do seu antecessor, nomeadamente no que se referia à política financeira de restrições para consolidação orçamental;

b) Que o seu funcionamento contribuísse para a estabilidade política e social no País.

Basta ler os jornais para constatar que nem uma nem outra, estão a ser minimamente cumpridas. Mais, tudo indica que nunca de tal houve intenção.

Foste enganado, amigo!

Sei que interpretas os teus poderes presidenciais numa óptima minimalista e que, por índole, pretendes conciliar sempre até aos limites do inconciliável. Mas quando se chega aos limites do inconciliável, já se queimaram todas as formas de equilíbrio nas soluções e estas são muitíssimo mais penalizantes para todas as partes se se tivessem, a tempo, assumido as adequadas decisões.

Quando decidistes pela nomeação de Santana, provavelmente por não sentires na alternativa Ferro suficiente garantia, afastaste muito do teu corpo social de apoio, que não entendeu a tua atitude. Os artigos do inefável Jorge Miranda e doutros nomes respeitados do constitucionalismo nacional chegaram tarde nas suas diligência de explicar que terias poucas alternativas na ocasião. Tão tarde que a ideia criada foi que eras frouxo nas decisões e apenas palavroso nas ideias.

Sabemos que é injusto, mas é o que corre e é o que ficará para o futuro se nada fizeres de concreto para corrigires o erro de teres nomeado este 1º ministro não sufragado pelo voto. Na política, como sabes, o que parece é. E é o que fica para a História, de que tu és inevitavelmente um agente

Para a História és também co-responsável pelas acções deste Governo e tanto mais quanto menos dele te demarcares. Porque a função de "grande vigilante", politicamente não é coisa alguma, a não ser uma espécie de desculpa ou paliativo para a decisão que tomaste a contragosto da maioria do Povo. A vigilância sem subsequente acção é uma espécie de voyeurismo político que está muito abaixo das tuas competências e responsabilidades.

O verdadeiro descalabro que é este Governo obriga-te, a ir contra a tua índole de conciliador e a agir. Em primeiro lugar porque ele não cumpre as condições que eram condicionantes da sua existência. Em segundo porque chegou a um tão baixo grau de credibilidade e de confusão estratégica, que a sua manutenção por mais tempo só pode ser inconveniente para o País, numa altura em que se revelam necessárias chefias fortes, respeitadas, com um programa sério e competência de regeneração nacional.

Se não agires ? e discursos não chegam - ficarás, contra a tua forma de pensar de sempre, associado a uma política incompetente de liberalismo a vulso, com laivos casuísticos de totalitarismo, sem estratégia ou rumo definidos, de licença centrada no patrocínio de amigos, em caldo de facilitismo e demagogia populista.

Tu, caro Jorge, nada tens a ver com essa gente e é injusto ficares para o futuro a ela ligado como seu principal sustentáculo.

Não basta apenas preocupares-te. É incompreensível que Rui Gomes da Silva ainda seja ministro da República; que Souto Moura se mantenha no mais sensível cargo da Justiça; que o Governo prossiga a sua política de intimidação e compra, para deter o controlo dos media que lhe são críticos, sem uma atitude, um gesto concreto, para além de vagas referências dúbias dentro de longos discursos política e teoricamente correctos sobre outras questões do Estado e do Mundo.

As sondagens valem o que valem. Mas não podes ignorar a sistemática coincidência dos números altamente negativos para a Maioria, que objectivamente já o deixou de ser, em verdade, há muito. Quase 80% dos portugueses acham que este governo governa mal; os partidos da Oposição têm cerca de 75% das intenções de voto e se as eleições legislativas fossem hoje o PS teria maioria absoluta folgada. Os media que não foram comprados pelo Poder, na sua quase totalidade são quotidianamente altamente críticos; peritos em economia e instituições internacionais alertam para os riscos graves do caminho seguido; as propostas de leis que o Governo emite denotam uma puerilidade técnica, uma incompetência e uma falta de senso inconcebíveis num governo europeu; assim as alegadas"pérolas" legislativas deste Governo (as rendas e as scuts) apenas por serem enunciadas estão já a causar enormes perturbações sociais; muito ministros são já ridículos; a insegurança aumenta, as dívidas do Estado idem; a descrença no país e a viabilidade do progresso também; a insegurança e o crime idem; a corrupção também; as dívidas do Estado, idem.

Caro Jorge

Objectivamente nenhuma das condições postas para manteres este Governo, que foi nomeado sob as condições acima referidas, lembro, se estão a realizar. Pelo contrário, o Governo até nem parece preocupado em parecer que as está a tentar cumprir. Supõem-te fraco e abusam, Jorge.

Saberás melhor do que eu o que se está a passar. Seguramente não é nada do que tu desejarias, nem é nada do que tu exigiste como condição para suportares no Poder uns tipos que ideologicamente e talvez pessoalmente, não gostas.

Seguramente vozes de todos os quadrantes, do PSD até à do teu irmão Daniel, independente e alheio a interesses directos na Política, te aconselham uma atitude que te desresponsabilize do caos para que estamos a caminhar.

Todos os dias há novos pretextos e razões para demitires este Governo de faz-de-conta ou dissolveres a AR, cuja composição só em teoria é hoje representativa do querer popular.

Aceita complementarmente o conselho deste teu amigo e devolve a decisão ao Povo, dissolve esta Assembleia da República e acaba o teu mandato em glória.

Crê-me teu amigo e apreciador dedicado e aceita um abraço de esperança"

Mas não tenho o privilégio de privar com o Senhor Presidente e subsequentemente não ter qualquer sentido enviar-lhe esta ou qualquer outra carta.

Contudo, é pena.

ASP



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